segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Jogo da memória



Dona Teresa tem 85 anos, então é chover no molhado dizer o que ela já viveu . O melhor é contar o que ela tem vivido. Vaidosa,  poderosa e com um espirito que não se dá conta da idade que tem, vive saracoteando e aprontando por ai, muitas vezes deixando os que estão ao lado de cabelo em pé .

Nem sempre é sábia em suas decisões, mas outro dia me contou uma história sobre o que tem feito para resolver o problema de memória. Falou isso com muita certeza de que seria o melhor remédio pra mim, já que me viu por diversas vezes procurando as minhas chaves que insistem em sumir sempre que preciso delas.

Eu tenho um sonho recorrente de que um dia alguém há de inventar um chaveiro que grite pra você :

- " Ei tô aqui ...Psiiuu, linda ...vem aqui, vem me pegar! "

Enquanto isso não acontece Dona Teresa me disse o que anda fazendo para driblar esses pequenos esquecimentos.

- "Olha minha filha agora não perco mais tempo e nem fico mais nervosa. Se deixo uma coisa aqui e depois não me lembro mais onde deixei. Eu falo assim pra ela:

- Olha aqui dona tesoura, quando a senhora estiver disposta a trabalhar a senhora apareça. Ai finjo que nem mais estou ligando pra ela e, de repente olho, em cima da mesa e a vejo , então passo e digo : - Ah agora a senhora tesoura quer conversa comigo ?! "

E eu fiquei cada vez mais interessada por essa técnica.

Dona Teresa continuou me contando ...

- "Sabe que outro dia, eu precisava sair e queria uma calça branca que não achava de jeito nenhum. Sentei na cama, abri o armário e falei assim:

- Ah dona calça! A senhora tão elegante e bonita vai querer ficar aí trancada dentro do armário? Não vai querer passear ?? O dia está tão bonito lá fora. Vamos ficar nós duas aqui sem fazer nada ??

- É não é que ela apareceu rapidinho ...kkkkkkkkk " .

Ela ria, da atitude da calça e não da conversa que ela teve com as roupas do seu armário.

Na mesma hora resolvi esquecer o São Longuinho, os 3 pulinhos e o negrinho do pastoreio .

Comecei a tratar melhor a minha chave. E que o melhor remédio seria ter um bom argumento para ela me achar, caso desaparecessem de novo!

Bjs da Ga ;*

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